sexta-feira, 9 de abril de 2010

A cidade deles





É na dualidade das veias extensas da cidade deles, no turno mais eficiente, onde a captação dos detalhes é vista com maior precisão, que se entende o que se faz com os indivíduos, durante o outro turno, oposto a calmaria que vem logo após o crepúsculo. São nessas veias de concreto e betume que afloram o subterrâneo urbano, nas madrugadas as quais se vivem as vidas, sem pudor, na mais pura emoção mundana possível sem preocupações com o amanhã, nem com o agora, chamo isso de fuga, algo que se faz necessário.

No subterfúgio da cidade deles é onde se percebe a conseqüência de infinitas ações programadas, ou até mesmo da falta delas, que põem muitos indivíduos a beira da mais perversa insanidade comportamental, comportamento tão cruel que os levam a morte, por muitas vezes. Mas, não passam de números para eles, dessa forma os acontecimentos que rege o turno temido, obscuro e silencioso que tanto me intrigam e fazem com que eu reaja de alguma forma, fazendo meus textos ou até mesmo metamorfoseando meu comportamento.

Aquela cidade deles de outrora, continuam a mesma, mesma perversidade que afligi uma infinidade de seres, e acaricia o ego de uma minoria dissimulada que pensam ser os donos de algo que nem existe. A cada dia mais os transeuntes noturnos me instigam a saber o que se passa na ótica de cada um, no que diz respeito a cidade. Um dia vou tornar minha cidade fictícia em objeto palpável, sem me preocupar com eles, e deixar eles com cólera, pois é como aquela velha história "O machado esquece; a árvore recorda”.





domingo, 4 de abril de 2010

Só noticias ruins!


Não sei qual a explicação porque você só me traz noticias ruins, tragédias, misérias e coisas do gênero. Preciso de emoções boas, já se fazem 25 anos que estou inserido nessa esfera de infortúnio, eu necessito de graças, de luzes e de razões. Viver é uma mutilação cotidiana, e eu não tenho tato pra isso, eu sou fraco, muito sentimental, e meus dramas não funcionam mais como antes. Às vezes acho que é o fim, mas não pode ser, sempre há uma pontinha de esperança, por mais ínfima que seja, e muitas das vezes nem a vejo, mas sei que existe, por hora vou vivendo dessa esperança que me cansa e me destrói paulatinamente. E nem pensem que minhas palavras são atribuições hiperbólicas, pois não são, isso é vida real, é o sentimento expresso na mais pura essência possível.


Certas notícias me fazem refletir sobre minha vivencia, ou melhor, sobrevivência, meus sentimentos nostálgicos me fazem chorar, querer quem não tenho mais, e querer o que nunca tive, me fazem deixar de existir por alguns momentos quebrando todas as amarras que ainda existem sobre meus ombros escravos. Se ainda sou o que sou é por ti, por ti e por ti também, pessoas que pude confiar, aprender, amar e ser o que sou, e muito me orgulho de tudo, queria mais e mais, mas não deu, a maldita vida é efêmera, e não nos contempla com a eternidade. Chega de notícias ruins, pra nós, chega de sofrimento, enfim... Precisamos de paz, mesmo que seja com "sangue" alheio, ela virá.

quinta-feira, 1 de abril de 2010



O outro na cidade contemporânea
Entendendo os pichadores



Compreender a cidade a partir da ótica dos pichadores pode ser mais complexo do que o imaginado, pois nos remete a uma questão de identidade e busca de espaço, dentro de uma sociedade excludente, e que oculta a visibilidade do outro. É possível perceber, na área core, das grandes metrópoles a expressividade dessa arte marginal, vista como "subcultura" no contexto da cidade contemporâneas e suas amarras. É como se um pequeno pedaço do universo do "morro" e ou subúrbio, "invisível", pouco visitado e contemplado no imaginário coletivo urbano, deixasse um vestígio, ou melhor, é como se a cidade do outro se inscrevesse na cidade "ordenada", "desejada" e "conhecida".
Em entrevista a um pichador da cidade de Salvador, ele nos ajudou a esclarecer o motivo das pichações se concentrarem nas áreas centrais das cidades, dizendo que: "no centro a visibilidade é maior, todos vão ao centro. A periferia já é suja demais" em um outro momento ele nos diz, "A intenção é sujar a burguesia, na área mais nobre da cidade, e colorir e dar vida na favela. Não ‘curto’ riscar casa de pobre que dá um duro danado pra pintar, pra ir um lá e pichar". Com essas palavras, podemos perceber o teor de insatisfação social que esses jovens carregam com sigo, se utilizando de instrumentos marginais, no caso a pichação, para expressarem suas insatisfações defronte a cidade. A respeito das relações existentes nos espaços, o sentimento de pertencer a um espaço ordenado ou habita-lo valoriza o homem; inversamente, o homem se sente desvalorizado quando o espaço ao qual pertence ou onde mora é desvalorizado. Dessa forma podemos entender o motivo pelo qual esses indivíduos, mas especificamente os jovens, desejam esses outros lugares que tem padrões de vida muito diferente das realidades as quais eles vivenciam em seus cotidianos marginalizados. Essa é uma possibilidade de interação com a cidade, a qual lhes é negada, em uma nova dinâmica. Uma vez que, nem todos têm igual direito à cidade, simplesmente porque, a rigor, há dois tipos de cidadania e, por esta via, dois tipos de cidadãos. Existe a cidadania conquistada e a sua oposta, a cidadania dada.




quinta-feira, 25 de março de 2010

Meus textos marginais


Fora dos padrões de leitura de muitas pessoas, graças a Deus, meus escritos são por vezes mal compreendidos e rotulados por alguns seres, mas tudo bem, a critica é gostosa e me faz bem. Queria ter inspiração para escrever com mais freqüência, todas as minhas vivencias, mas não sei concretiza-las, não é fácil transpor os sentimentos, é agonizante, as idéias ficam apreendido em alguma parte de mim. Talvez a racionalidade tenha um teor de responsabilidade, pois ela me inibe a explanar certas coisas, ora bolas, mais não imagino como ela foi aportar no meu ser. Contudo, não me imagino sem ela, só ela me faz deixar de existir, quando desejado, mesmo que seja só em letras ou em momentos de preenchimento limitado.


Gosto de espontaneidade, escrever cheio de amarras é sufocante, fora que é muito tendencioso e as coisas se tornam obvias, obviedade não me fascina, não desperta a minha atenção, enfim... Eu gostaria muito de ser compreendido, e não fosse mais abordado e bombardeado de questionamentos, por escrever minhas abstrações que se perpetuam através escritos mão compreendidos.


A política é cada ser com suas divagações, cada um com seu conteúdo e respeito, e não tolerância, estou falando de respeito, pois ele é quem sustenta um debate saudável e proporcional o conhecimento do diferente, e também nos ajuda a entender o todo, por partes. Indagações sobre verdades, fé, crença não nos cabe. O que nos interessa de fator é relatar o que vemos, sentimos. Isso de forma própria, o que é mais interessante para a compreensão dos indivíduos enquanto seres singulares, por mais próximos que possam estar, vai ser sempre diferente, logo não é necessário assassinar um selva cotidianamente para poder adequar o “diferente” as amarras paradigmáticas que, por sua vez, continuam a nos mutilar e nos limitar de fronte a livre expressão cognitiva, tentando nos impor a maneira de conduzir-nos diante do valor, do psíquico e da matéria, tentando dissociar a subjetividade e a objetividade.




"Até que os leões tenham suas histórias, os contos de caça glorificarão sempre o caçador."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O lado ruim das coisas boas





Mais uma vez tenho a necessidade de escrever algum texto pra pôr no meu BLOG, porém não sei o que dizer a vocês (leitores) já contei quase tudo de minha vida, o que me resta é pouca coisa armazenada na massa cinzenta, sinto meu cérebro esfacelado em infinitos pedaços.


Gostaria de explanar o que venho achando das pessoas nos últimos anos. Tenho achado o mundo podre, e conseqüentemente as pessoas, eu tenho pouca paciência com elas, acho todas dissimuladas, perversas, individualista, dentre uma infinidade de adjetivos pejorativos que ainda posso atribuir. Mesmo aquelas pessoas mais próximas de mim eu ainda não consigo depositar uma total confiança. Não me recordo o número de vezes que imaginei que eu era ou problema, talvez sim, porque não? Mas, enfim... Infelizmente tenho que manter relações cotidianas com uma infinidade de pessoas, pessoalmente ou não, que por sua vez não é nada agradável.


Viver é uma condenação, dever satisfação é uma mutilação, isso vai bem mais além do que o simples fato de fugir das responsabilidades ou se acovardar diante das barreiras existente na vida. É sentir, ter a percepção de que as coisas não correm de uma forma agradável, é algo sufocante que nos incomoda, porém pouca coisa pode-se ser feita. Queria ter lido menos livros, ter aprendido menos, não queria ser uma pessoa informa. Talvez fosse mais feliz sendo ignorante, teria menos preocupações e sorriria com mais facilidade.


Vida, mundo, pessoas... Vários ciclos e eras, infinitas histórias e interpretações, crenças, intolerâncias, verdades e inverdades tudo isso para que? Para ter um sentido de viver? Fica a indagação. Sinto-me preso num grande casulo babilônico cheio de válvulas de escape que nos impõe afazeres e dirigem nossas condutas. Mas como nem tudo são rosas perfumadas, existem os espinhos urticantes que nos deixam angustiado. Por isso escrevo meus devaneios Anti-sociais só para imortalizar meus pensamentos.



OBS.: Não vou me matar, não pretendo matar ninguém. Relaxem vou continuar vivendo nessa penitencia.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Meu projeto de monografia!











OBJETIVOS


Essa pesquisa tem por objetivos, analisar o comportamento dos jovens inseridos no “mundo” do Hip – Hop no contexto da cidade contemporânea e identificar esse movimento cultural como de resistência da população africana em diáspora em terras da América. O recorte espacial abrange a Região Nordeste de Amaralina (RNA), Salvador – BA.



Esse trabalho além de buscar desvendar a essência do Hip – Hop, como movimento cultural de resistência das populações africanas em diáspora, buscará desvendar de que forma a conduta dessa juventude marginalizada nos espaços da cidade, pode ser conduzida a partir de sua inserção nesse fenômeno ou tribo juvenil urbana, enfocando as problemáticas sociais que envolvem os grandes centros urbanos.



Pretende – se ao longo da pesquisa, como objetivo preponderante, realizar uma investigação cientifica no âmbito da Geografia Cultural Urbana, verificando de quais formas ocorrem tais modificações comportamentais desses indivíduos, quais são os meios que eles utilizam para expressar suas opiniões, insatisfações, dentre outros motivos, no que se refere às condições sociais às quais estão submetidos.



Como objetivo secundário, esse projeto de pesquisa busca elucidar, dentre outras questões que se encontram interligadas em uma rede de relações culturais e sociais, a questão das manifestações culturais de caráter Afro – Americana, que por sua vez tem uma vertente de resistência às imposições, opressões e as mazelas seculares, que as populações africanas em diásporas encontram-se submetidas em toda a América. Abordando a questão da identidade, afrocêntrica, e valorização das raízes culturais pertencente a essas populações, que por sua vez adquirem características singulares em diferentes partes da América.



Todas essas problemáticas são abordadas a partir de análises de casos específicos de vivencias e acompanhamento desses jovens dentro de seus espaços/territórios, não nos prendendo a estratificações de renda com fator social que determina a conduta dessa população, periférica. A questão da compreensão e da afirmação por uma identidade própria, pode causar mudanças de comportamentos significativos nesses jovens.



domingo, 24 de janeiro de 2010

Lavagem do Bonfim







Uma das festas, de caráter popular, mais requisitadas de salvador. Se você morrer sem ir ao Bonfim, nesse período, tenha certeza de que você não viveu de verdade.

Fazer um percurso de 8Km, a pé, embalado por machinhas e pelo pagodão profano de Salvador em pleno verão, onde o Sol nos mutila sem cerimônia alguma, isso tem um preço. É chegar a Colina Sagrada, onde está situada a Igreja do Bonfim, e poder amarra à grade da Igreja uma simbólica fita do Senhor do Bonfim e pedi três desejos. Questão de Fé!¹

A quase duas semanas fiz esse percurso, mas meus pés até hoje sofre com as consequências, estão fragilizados e ninguém, ninguém mesmo, além de mim se sensibiliza com a causa, eles precisam de massagens, eles são mais dengosos que eu, eles tem vontade própria.

A esse momento único de minha vida, eu agradeço por ter compartilhado com pessoas que conseguem me alegrar, e eu a amo-as de verdade, agradeço a: Betinho, Diego, Iara e Negro All (Akon). Foi muito bom está com vocês. Sem falar na infinidade de pessoas que encontramos no decorrer do trajeto, como Afro Jow, Dani e Gabriel.





¹ Eu amarrei logo duas, só para evitar acidentes, sabe como é, né!